quarta-feira, junho 28, 2006

Janelas amarelas


Não importa a maturidade do ser.
Debruçadas, as janelas espiam,
De onde menos se espera.
Contornam o contorno mundano,
Partem e chegam a todo instante,
No movimento contínuo do cotidiano.
Sobre os jardins de amores,
Daquele império decadente,
Confissões e amores e conspirações.
Os propósitos submersos de melancolia,
Inundam as exaustivas tentativas.
Nas ruas enjaneladas,
De calçamento irregular.
As cores vivas da alegria,
Permeiam um passado circular,
Daquelas inúmeras visões inesperadas,
De paredes antigas e amplas janelas amarelas.
Enquanto a orquídea agarra-se ao tronco,
As janelas tagarelam a vida alheia.
No mal cheiroso cochicho,
Dos líquidos mortíferos impelidos,
Pelo músculo dilacerador.
Esta vida pouco vivida,
De muitos comentários,
As janelas fazem parte.
E vinculam claramente a falsa versão.
Iniciam-se no fragmento do dia,
E adormecem na escuridão do por-do-sol.
As janelas pecadoras,
De brilho pouco intenso,
Continuam a tagarelar.
Enquanto a vida é vivida.



(Rômulo Piloni).

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