quarta-feira, junho 28, 2006

Mutação atrelada ao indolor



Abrem-se as cortinas.
A pseudovida está começando.
Sob o firmamento,
Surge a boa nova nas asas do urubu.
Que tão logo se retirou.
Não quis. Não ficou p’ra ver sua verdade.
A boa nova do radioisótopo.
Não um qualquer,
Mas o 137.
Tanto nas Pradarias Ucranianas,
Quanto no Planalto Central.
Transformou o homem em pó.
Pessoas mutantes,
Problemas congênitos,
Câncer, caos...
Das crianças ao cachorro,
Do cachorro ao vegetal.
Primeiro o energético ucraniano.
Tempos.
Algum tempo.
Tempo pouco passado,
O raio-X neovilaboense.
Barreiras, grandes barreiras.
Isolamento do humano para o humano.
Tendo apenas o preconceito de companhia.
Se não bastasse...
Histórias marcas.
Terras marcadas.
Marcadas as pessoas por gerações.
Não adiantou chorar,
Tampouco adiantou sofrer.
Algo atrelado ao inimaginável indolor.

O bebê nasceu sem cérebro.
A vovó perdeu as pernas.
O cachorro nem nasceu.
O litle boy contemporâneo.
Anos e mais anos.
Vinte e poucos.
Fecham-se as cortinas.
O urubu foi sepultado,
E as pessoas marcadas pela radiação.



(Rômulo Piloni).

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