Aquele dia como um ou outro.
Carros pelas ruas,
Pedestres pelas ruas,
Árvores a farfalhar os galhos.
Um lufa-lufa de movimentos.
Novamente naquele local,
O pequeno local de Palas.
Oficina de pseudo-intelectuais,
Logo terão a primazia do espírito.
Um dia como um ou outro.
O olhar transformador.
Cumprimentos encabulados.
Cumprimentos simpáticos.
Notoriamente há mais.
Sempre há mais!
Conversas iniciadas e interrompidas.
Conversas interrompidas e reiniciadas.
Átimo de sabedoria.
Olhares mais que perdidos.
Perplexos em busca de súplicas ardentes do coração.
Entendimentos prontamente entendidos.
Entremeados por cochichos avermelhados.
Escoltados por dizeres luminescentes.
Desespero. Continua o contínuo ázigo.
De repente: numa mesa de bar.
Esperado, não era.
Simplesmente não!
Ausência de algo ausente.
Incompleto pairado no ar.
Talvez uma antiga lembrança.
Que em tempos poderia voltar.
Mas com desejo de não partir,
Uma breve despedida tímida.
Retornando à casa de Palas.
Angustia e desespero.
Desilusão e carência.
Tudo misturado no liquidificador.
Momentos conturbados.
O dia não era mais um ou outro.
Era aquele dia!
Do repentino convite feito,
Um mais que depressa convite aceito.
Portas de currus e serem cerradas.
E uma rápida busca pelo material pessoal.
Pronto: tudo pronto (!)
Viadutos e estradas e carros.
Átimo de liberdade-livre.
Música francesa.
Conversas mui adoradas.
Olhares perguntativos.
Desejo osculativo.
Interrogações flutuantes.
Carros e mais carros.
Curvas e mais curvas.
Destino: a grande cidade.
Cidade do vinho,
Abençoada por Dionísio.
Uma breve parada...
Não mais breve.
Sob melodiosos sons a fundo.
Pedestres pelas ruas.
Carros pelas ruas.
Árvores a farfalhar os galhos.
Partida e chegada.
O crepúsculo de acompanhante.
Seguindo a fortaleza da árvore-da-vida.
Empurrando o pequeno carro-de-mão.
Escolhas a serem escolhidas.
Um vinho tinto a completar.
O dinheiro move o homem.
O homem move o dinheiro
O mundo move tudo.
Portas de carros cerradas.
Passeios e conversas e olhares.
Músicas e contatos e esperança.
Decidir ou escolher?
Escolha você.
Não, escolha você.
Que decidir?
Que escolher?
Átimo pouco comum.
Um dia como nenhum outro.
Arruou-se, ainda, variado tempo.
Arruou-se variados locais.
Conversas e cozinha e velas.
Música clássica p’ra acalmar.
Vinho tinto em taça.
Com aprovação de Dionísio.
Ambiente escuro para acompanhar.
Artes cênicas.
Jogos de palavras.
Conversas e explicações.
Autoconhecimento.
Duplo conhecimento.
Um cruzar de olhares.
Tarde de mais!
Filme e olhares e pele macia.
Que pele!
Desejo máximo de oscular.
Madeixas de sol, com cheiro rosáceo.
Com gosto rosáceo.
Pétalas pelo pensamento.
Um transpassar de braços.
Olho no olho.
Nem se quer lábio no lábio.
Mãos dispostas a enfrentar o mundo.
Coração bombástico.
Perplexo e parado,
Diante da solidão.
Tendo somente o desejo por companhia.
Repentino, sobretudo passageiro.
Gotas gotejantes d’água...
Pelos contornos nus.
Os seios, magicamente rijos.
A boca, lindamente entreaberta.
Num espaço comprimido.
Formou-se um ser autógeno.
Mão a mão.
Enfim: um breve e mágico tocar de lábios.
Lábios estes, de rosas vermelhas.
Cabelos de sol.
Contornos divinamente esculpidos.
Auréolas púrpuras,
Angelicalmente dispostas em par.
Perplexo, repetida vez...
De conselheira, somente as gotas d’água.
Dantes, doiradas.
Novamente: filmes e bocas e labaredas de fogo.
Límpido e nu...
O (meu) sol a brilhar,
Num céu de estrelas.
Por toda à parte.
Em todos os lugares.
Estrelas argíricas,
Lençóis de seda,
Travesseiros de ganso,
O céu enegrecido,
Tendo o luar como espectador.
Menina-Mulher angelita.
Os olhares próximos,
Com olhos de beleza marinha.
Num momento de intensa atença.
Leves toques de mãos.
Pêlos ouriçados.
Ósculos delirantes...
Belos pés rosáceos.
A mágica magia.
O átimo atilar de mestria.
Num ato castiço.
Yung e Yang...
Magníficos seis ondulantes
Numa natural interpelação.
Adjeção de corpos.
Ato complexo.
No encobrir do espécime.
Num ir e vir,
Num ir e voltar.
Cercado pelo breve ocular do corpo.
Num fecundo átino.
Alegremente abençoado por deuses próprios.
Afrodite ergueu-se.
Dionísio consentiu.
Enquanto:
Árvores a farfalhar os galhos.
Carros, poucos, pelas ruas.
Pedestres, poucos, pelas ruas.
Maravilhas sob as estrelas.
Um dia não esquecido,
Às retinas,
Aos pensamentos,
Ao coração.
(Rômulo Piloni).
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