sábado, outubro 14, 2006

Coloração insólita


Na busca incansável,
Apoiada pelo determinismo paternal,
Procuro na lentidão suave,
Palavra por palavra,
A minha identidade.
Própria de mim mesmo.
Vestindo luvas sacerdotais,
De procura incerta,
Da vida na vida em si mesma.
Sou ambos,
Pai e mãe transfigurados
Aqueles vômitos penosos,
Espasmos contínuos,
Aproximam-me cada vez mais de mim.
E eu sem nem saber,
A cada passo sem destino,
Distancio-me do meu eu.
Até quando.
Quanta verdade um espírito pode suportar?
Não a maquiada de pseudoverdades.
Calcada pela impressão digital.
É da violenta calmaria,
Que surgem palavras tempestuosas,
Falsificando o mundo ideal.
Os genes promovidos pelas ciências,
Com olhar preocupado,
Afagam a minha pele.
E cruzando divisões equacionais,
Multiplicam-se na transformação.
Mas multiplica também,
Ainda mais meu desespero.
As hélices espiraladas,
E mitocôndrias maternais,
Integram meu corpo físico.
Mas meus pensamentos,
Únicos e de impossível clonagem,
Ainda não os encontrei.
Estou certo,
Mesmo que em tempo indeterminado,
Eu me contarei a minha identidade.


(Rômulo Piloni).

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