terça-feira, novembro 14, 2006

Furto




Em meus sentidos ocultos,
Tão logo mostrou-se escuridão.
Perturbador dos sonhos e desejos,
Que transformam o coração.
Romper as estradas festejantes,
Já não há mais como.
Transpor de alegria as bases sólidas,
Já não me interessa mais!
A fonte de desejos calorosos,
Ri furtivamente d’minha cara.
Enquanto em ilusória postura,
A imagem sua, tão esperada,
Escorre diante de meus olhos.
Este causador de sofrimento orgulhoso,
Timbrado na pele quente e macia,
Marcas minhas pouco conhecidas.
Em fascinação e piedade,
Consola meus escuros cabelos.
Na tentativa de momentos felizes.
E aquele coração transformado,
Cúmplice de muitos abraços,
Requer novamente de novo,
Os tempos profanos.
De um tempo perdido em acalanto encontro.
Mesmo dizendo o que sinto,
Não adianta te amar.
Eu sei que és d’outro agora,
Mas sabes que teu coração é só meu.
Não adianta mentir!
Sob os respingos do chafariz,
Os lábios nossos tocam-se em breve sinfonia.
Sob os ruídos da cidade,
Nossos corações pulsam unidos num só.
Mas o que hoje se ouve,
É uma melancólica música incolor.
Contudo, antes que escrevam bobagens,
Está pré-escrito na sepultura:
Aqui jaz um homem que amou,
Na vida, a mulher de sua vida.

(Rômulo Piloni).

Um comentário:

Anônimo disse...

Aquele que tem habilidade com as palavras é uma pessoa especial!!!
Parabéns por esse dom!
Adorei o poema!
Abraços!