quarta-feira, novembro 01, 2006

É posto o fim


Apalpando o vazio,
Inúmeras são as intenções.
O marcador célebre,
Inquebrável,
No centro do cosmo,
Resgata qualquer palavra.
São os cristais,
Pouco transparentes,
De colorido uniforme,
Que delatam os projetos.
Obedecendo ao imprevisto,
De longos caminhos,
Sempre há um recuo.
Estabelecido o caos,
De um moderno momento.
Sapatilhas letradas,
Confundem o aprendiz.
Embebido em si próprio,
Refere-se aos costumes,
Como singelos desencontros fraternais.
Mesmo atirando pedras nas lagoas,
O vazio continua.
Socorro-me de mim mesmo.
E acoberto-me de meus escândalos.
Nem se quer minha própria sombra,
Me acompanha nos caminhos.
O veludoso ódio plácido,
No porta-lápis escondido,
Entre sapatos, talheres e pensamentos,
Compõem sonetos líricos.
Enquanto o galo canta,
As palavras resgatadas,
Encontram-se no papel.
Tampa-se a caneta.
Fecha-se o caderno.
Agora, é o silêncio.

(Rômulo Piloni)

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