domingo, agosto 20, 2006

Não há como ficar



Mudei.
Aproximei-me.
Tentei ficar.
Fiquei um pouco.
Lutei.
Lutei muito.
Sofri.
Continuo sofrendo.
Nem quis mais o vinho.
Ajoelhei.
Pedi p’ra ficar.
Nada adiantou.
Vou-me embora,
Vou-me para sempre.
Com a certeza que deixo para trás.
Deixo um amor.
O meu amor.
A minha mulher.


(Rômulo Piloni).

sábado, agosto 19, 2006

A caixinha Glabs-glabs



Eu quero uma caixinha Glabs-glabs.
Eu quero (!)
Eu quero só p’ra mim...
Uma linda caixinha Glabs-glabs.
Com projetos urbanos futuristas,
Palavras acústicas,
Pessoas modernas,
Um copo de vinho.
Nas pequenas paredes transparentes,
Encobrindo suas cores verde-amarela,
E sua forma triangular-esférica.
De tamanho descomunal,
De utilidade desejosa.
Eu quero...
Eu quero a minha caixinha Glabs-glabs.
Com travesseiros de ganso,
Multiformas do Cerrado,
Um suspensório vermelho,
Livros bons de ler,
Amigos, grandes amigos.
Itinerários de grandes viagens.
E o mais importante:
Uma mulher.
Um coração.
Terei tudo.
Terei tudo meu.
Mas até hoje,
(Digo até o momento.)
P’ra mim, ela nunca se materializou.
Nem em forma,
Nem em cor,
Nem em meus desejos.
Nunca tive uma caixinha Glabs-glabs.


(Rômulo Piloni).

quarta-feira, agosto 16, 2006

Vida – Vaso



Depois d’algum tempo,
Alguns tentam colar os cacos...
Cacos estes, já esfacelados.
Juntos, formam um pseudo-vaso.
Colocado em destaque na cristaleira da sala.


(Rômulo Piloni).

Vida – Vontade



Não seria, o desejo, importante,
Se não fosse a monstruosa vontade.
No coração é dor verdadeira,
Da desejosa atividade.
Na vontade de ser livre,
É escrava, a liberdade.



(Rômulo Piloni).

Vida – Valores




O mal, vilão, sempre visto.
Contudo, no mundo dualista, integra.
Na vida, o maniqueísmo,
Para o bem do bem que existe.



(Rômulo Piloni).

A liberdade na caixa de fósforos



“Fiat Lux” – Disse Deus, no momento em que dominou as trevas com o auxílio das luzes. Na eliminação do caos e conseqüente gêneses da Madre Gaia, gerou-se Urano e Pontós, sendo Eros o princípio coeso do universo. Unindo trevas, luz e o Deus Cronos, impôs o limite e a liberdade em todo o universo.
Aos homens, a desliberdade ainda estava por vir.


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Liberdade é a superação do determinismo do universo; e esta tal de superação não se encaixa no determinismo de pseudo-liberdade? Seguimos o fluxo das moléculas numa caixa de fósforos.
Desliberdade – caminha ininterruptamente a passos largos, seguindo o fluxo das moléculas impostos na coesão do universo;



(Rômulo Piloni).

domingo, agosto 06, 2006

Os vermelhos girassóis


Não era amarela.
Nem era também, branca.
Não chegava a ser transparente.
Percebi que não se tratavam de girassóis.
Eram gérberas.
Eram gérberas vermelhas.
De longos caules.
Com pétalas paulatinamente colocadas.
Encaixadas por milagre.
Divinamente divinas.
Observando analiticamente,
Percebi um rosto puro.
Um rosto perfeito.
Um perfeito rosto!
Que se deixou olhar.
Que se deixou apaixonar.
Que se deixou amar.
E eu...
Que me deixei olhar.
Que me deixei apaixonar.
Que me deixei amar.
Palpitavam emoções,
Mas mesmo assim,
Não posso declarar-me.
Os homens me impedem.

(Rômulo Piloni).

Publicado em Intervalo Curta Poesia - Ano II-n° 8 - Jul 2006 - pág. 7

sábado, agosto 05, 2006

Esboço de itinerários


Nos traços límpidos,
E também livres,
Segue o projeto ininterrupto.
O subconsciente,
De forma prática,
Imprime no papel esboçado,
Rabiscos d’um pensamento moderno.
Longe… muito longe,
Além dos campos da campina,
A corruptela do vocábulo Guanabara,
De sentido-significado pluviométrico,
Deu lugar às idéias,
A expressão sublime dos barões.
Pulverizando transformações e realidade.
O cata-café do passado,
O microsoft do futuro,
Contam a história do cotidiano.
E a linha férrea continua.
Nos dormentes modernos,
Próprios da Estação Guanabara,
Novos projetos futuristas surgirão.
Naquele perfil esbelto e marcante,
Entre inúmeros pés-de-café,
A gloriosa Princesa d’Oeste,
Marca o tempo arrogante.
Ligando ferrovias,
Construindo o futuro.
Com traços límpidos e livres,
No papel,
Na história,
Na Campina,
Na Estrada de Ferro Mogiana,
Projetos seguem ininterruptos.



(Rômulo Piloni).