quarta-feira, novembro 29, 2006

Ingredientes


Improviso um poema qualquer,
Sem o pessimismo noturno que me abala,
Na universalidade de um dia seguido d’outro.
Descarregar sobre ti,
A carne dissecada de momentos sombrios,
Não causariam boas sensações.
É insubstituível,
E continua sendo.
De inúmeras e quantas substituições,
Se realizem de forma metódica.
Na aparência da perfeição,
Os elementos de teóricas garras compulsivas,
Balançam minh’alma furtivamente.
E meus pensamentos de bases alemãs,
Escorregam no gargalo da garrafa,
Equilibrando nervos abalados e coração.
Entre a ressonância elétrica e um caráter de encantos,
Rabisco minha letra.
Já as conquistas fáusticas materialistas,
Ganham progressivo espaço,
Na unidade moderna falsante.
Enquanto a sociedade aparentável,
Semeia entre os jardins de rosas,
O pessimismo particular.
Escondendo-o entre as sombras,
Das mais românticas flores cultivadas.
Este dualismo visceral,
Compõem a cloaca poética,
De um poema não esperado,
De um poeta de improvisos.

(Rômulo Piloni).

sábado, novembro 18, 2006

Coleção de desenhos


O colorido dos sonhos,
Impressos em um dicionário qualquer,
Oculta de forma singular,
O desespero do poeta.
Irromper os desejos,
Guardados há certo tempo,
Não é de muita facilidade.
Os desenhos desenhados com os punhos,
Contornados com meu sangue,
De clarividência pouco confiável,
Transportam-me para a torre da igreja.
Entretanto, quando me observo,
De forma analítica,
Deparo-me em um porão cheio de ratos.
Estes falsos amigos meus,
De desconfiança eterna,
Conduzem-me ao desespero.
Enquanto, as boas lembranças,
Daquele poeta desesperado,
Estão impressas num dicionário ilustrado.

(Rômulo Piloni).

terça-feira, novembro 14, 2006

Furto




Em meus sentidos ocultos,
Tão logo mostrou-se escuridão.
Perturbador dos sonhos e desejos,
Que transformam o coração.
Romper as estradas festejantes,
Já não há mais como.
Transpor de alegria as bases sólidas,
Já não me interessa mais!
A fonte de desejos calorosos,
Ri furtivamente d’minha cara.
Enquanto em ilusória postura,
A imagem sua, tão esperada,
Escorre diante de meus olhos.
Este causador de sofrimento orgulhoso,
Timbrado na pele quente e macia,
Marcas minhas pouco conhecidas.
Em fascinação e piedade,
Consola meus escuros cabelos.
Na tentativa de momentos felizes.
E aquele coração transformado,
Cúmplice de muitos abraços,
Requer novamente de novo,
Os tempos profanos.
De um tempo perdido em acalanto encontro.
Mesmo dizendo o que sinto,
Não adianta te amar.
Eu sei que és d’outro agora,
Mas sabes que teu coração é só meu.
Não adianta mentir!
Sob os respingos do chafariz,
Os lábios nossos tocam-se em breve sinfonia.
Sob os ruídos da cidade,
Nossos corações pulsam unidos num só.
Mas o que hoje se ouve,
É uma melancólica música incolor.
Contudo, antes que escrevam bobagens,
Está pré-escrito na sepultura:
Aqui jaz um homem que amou,
Na vida, a mulher de sua vida.

(Rômulo Piloni).

quinta-feira, novembro 09, 2006

Que será, que será?


Na arte de mandar recados
Diplomáticos ou em botequins,
O contra sistema cultural,
Em delirante complicação simplista,
Abre os braços o grande cristo redentor.
Miserável esculhambador da ordem,
Na ordem da ordem ordenada.
Na boa?!
(De simplicidade no dialogar).
Que se danem os contra-modernos,
Cínicos e arrogantes,
Preparadores de uma racionalidade planejada,
Na arte da vida dramática.
Encubando o pré-renascimento futuro.
De uma ordem avassaladora,
No maniqueísmo desafiador,
Das doutrinas alternativas.
Neste mundo prematuro-crú,
Pouco adianta divagar.
Misteriosamente entre gnomos.
É o fim da intemporalidade,
E o começo de um fim.
Um recado e um falso-abraço.
Um falso-abraço,
Em sujeito determinado.
Um recado,
No indeterminismo das escolhas.

(Rômulo Piloni).

quarta-feira, novembro 01, 2006

É posto o fim


Apalpando o vazio,
Inúmeras são as intenções.
O marcador célebre,
Inquebrável,
No centro do cosmo,
Resgata qualquer palavra.
São os cristais,
Pouco transparentes,
De colorido uniforme,
Que delatam os projetos.
Obedecendo ao imprevisto,
De longos caminhos,
Sempre há um recuo.
Estabelecido o caos,
De um moderno momento.
Sapatilhas letradas,
Confundem o aprendiz.
Embebido em si próprio,
Refere-se aos costumes,
Como singelos desencontros fraternais.
Mesmo atirando pedras nas lagoas,
O vazio continua.
Socorro-me de mim mesmo.
E acoberto-me de meus escândalos.
Nem se quer minha própria sombra,
Me acompanha nos caminhos.
O veludoso ódio plácido,
No porta-lápis escondido,
Entre sapatos, talheres e pensamentos,
Compõem sonetos líricos.
Enquanto o galo canta,
As palavras resgatadas,
Encontram-se no papel.
Tampa-se a caneta.
Fecha-se o caderno.
Agora, é o silêncio.

(Rômulo Piloni)