Os homens criam suas tristezas
Elas sempre vencem esta luta psicológica
Invadem o coro do pensamento
Triste sou eu agora
Afundado em mim mesmo
Com estacas de mármore
E silêncio...
A pele é fria
Eriçam meus pêlos mamíferos
Que não me aquecem
O que sinto se reflete em meu espelho
Quebrado por mim mesmo
Movem-se corpos em catracas
Que lentificam a passagem
As vísceras caídas em baixo PH
Os olhos profundos a vagar
Em meu metabolismo lento
E minha falta de amor
Coração na calma compassada
Alma sem calma alguma
Todos esperam o fim
Para que haja um novo começo
E por fim vários outros fins
Às vezes me escondo
Às vezes me entrego demais à vida
Em outras entrego minha vida à poesia
Ou a uma mulher falsa e dissimulada
A comida é insípida
As flores incolores
As palavras sem sentido
Nexo, coerência, coesão...
Estas feridas e cortes
Que fiz quando caí
Em um poço com cacos de mentiras
Que eu não conseguia enxergar
Por serem pequenos e distantes
E eu...míope..
Haverá uma alma triste como a minha?
Com mãos de perdão e peito de acalanto
Gestos feitos em prosa
Traços talhados em poesia
Alma com vontade de sair do cárcere
E unir-se à minha, como mãe ao filho?
Que ela me encontre agora
Ou que a vida sem demora
Me faça compreender a mim mesmo...
(Adriano Donin Neto).