sábado, março 17, 2007

Às seis horas da tarde


Às vezes, me entrego observando,
As matriarcas donas de casa,
Nos seus tempos cotidianos.
Expostas aos seus afazeres.
Expostas às suas curiosidades.
É tempo de rever as fotografias!
E me pergunto sozinho.
Qual delas se suicidará,
Às seis horas, no fim da tarde.

Às vezes, me entrego pensando,
Nas fecundas madres angelicais.
Que auxiliam os maridos a sair dos abismos,
E criam os pequenos filhos,
Com pulso forte,
E coração terno.
E me pergunto sozinho.
Qual delas se suicidará,
Às seis horas, no fim da tarde.

Às vezes, me entrego revendo,
As tristes mães zelosas.
Almoçando sozinhas naquela mesa grande,
E despedindo-se dos filhos que saíram de casa.
É tempo de rever as fotografias!
E novamente,
Me pergunto sozinho.
Qual delas se suicidará,
Ás seis horas, no fim da tarde.

Às vezes, me entrego lendo,
Gabriel Garcia Márquez,
Com seus comentários agudos.
Sobre a possível esposa feliz,
Que só fora realmente felicidade,
Quando faltava mui pouco a ser.
Mas ainda me pergunto sozinho.
Qual delas se suicidará,
Às seis horas da tarde.

(Rômulo Piloni).

domingo, março 11, 2007

Combinação da mente


Decidir para os outros,
É infinitamente fácil.
Decidir para os outros,
Não requer carga alguma,
Tanto de desespero quanto de ilusão.
Relutantemente, constrói-se um mundo à parte.
Um mundo pseudo-existencial,
Algo como pegadas na areia.
Ao mesmo tempo, se encontram, ali, naquele momento,
Alguns segundos podem não mais estar.
E que importa?
Falta nenhuma farão.
Vão e vem com a mesma facilidade com que se foram.
É como um cruel e insolúvel leque de possibilidades.
Tanto pode ser,
Como também pode não mais ser.
E que fazer?
Melhor tomar uma taça de vinho tinto e esperar a vida passar.
Algo combinado.
A vida com o vinho
E a espera com a eternidade.

(Rômulo Piloni).

sexta-feira, março 02, 2007

Ciclo básico II


Sentido.
Sentimento.
Satisfação.
Seria somente isso?
Seria somente assim?
Não seja severo demais.
Deveras, sempre há significados simples.
Simples seriam os sonhos e o sol e os sorrisos.
Complexos seriam a saudade e a solidão e os sofrimentos.
Deveras, sempre há significados complexos.
Sentido, um sortilégio sentimental.
Sentimento, um jamais se sentir sozinho.
Satisfação, sob os demais.
O sonho e o sol e os sorrisos, sentidos soltos.
A saudade e a solidão e os sofrimentos, sentimentos sem solução.
Satisfação, caça desesperada por sentir-se sempre assim.
Simplesmente.
Do sol fez-se o sorriso.
Do sorriso, somente um sonho.
Do sonho, surgiu à saudade.
Certamente, seguiu a solidão.
Sim, ileso não estaria o sofrimento.
Esse, secretamente sumiu.
Seguro, o sol ressurgiu.
Com ele, seguiu o sorriso.
E no coração, um ciclo surgiu.

(Rômulo Piloni).

Tal como a criação


Comigo estou sozinho.
Debruçado em mim mesmo.
Após o dia,
Mais dias!
Murmuro o vento.
Agito as águas.
Cintilo o sol.
Escureço a noite.
E num sopro de alegria,
Homens no jardim do Éden.
Tal como minha imaginação.
Tal é minha criação.
Após a noite,
Mais noites!
Acrescento sabedoria e liberdade,
E serpenteando,
O sofrimento é aclamado.
Pobres homens imaturos!
Querem ser deuses dos destinos.
Acostumem-se, agora!
Querem ser deuses das ciências.
Acostumem-se, agora!
Com o peso de minhas mãos.
E saibam reconhecer,
Na leveza do poeta,
Um tempo de remissão.

(Rômulo Piloni).