quinta-feira, setembro 20, 2007

Desconfortável


Abri a porta do quarto,
Para a esperança poder entrar.
Brinquei com a palavra,
Fiz poesia.
Ri em sua presença.
E na falta da esperança,
Nova esperança encontrei.
E digo-me a mim,
Na ansiedade prematura,
De uma vulnerável alma febril,
O quanto desesperançoso já fui.
Se ela tem mais esperança,
Muito mais que eu,
Então posso chorar a alegria,
E me entregar ao inconsciente choro.
No tempo influente freudiano,
Desconstruíram minhas ilusões.
E agora minha atitude psíquica,
Corrompe-se de esperança.
Até que a porta bata,
De saída para fora,
Na imensidão do mundo.

(Rômulo Piloni).

quinta-feira, setembro 06, 2007

Mãos


Entre os dedos,
Cheio de anéis ou não.
Cabe a lua,
Cabe o sol.
E cabem os demais planetas.
Cabe também, a praia e a montanha.
Mas nas palmas das mãos,
Cabe o mundo todo.
E tu bem sabes o quão grande ele é (!)
Num par de mãos,
Cabe o que se quiser.
Até o que se está pensando agora.
É como a magia.
Cabe o amor e o sofrimento.
Cabe também, a melancolia.
Cabe a música e a poesia.
E se estou certo,
São as mãos que fazem poesias.
Um par de mãos,
Dá a vida.
Troca as fraldas.
Ensina e alimenta e protege.
Um par de mãos também reza e trabalha.
E no fim,
O mesmo par de mãos,
Palmas,
E inúmeros dedos...
Sepultam o silêncio.
Mas enquanto dá vida,
Um par de mãos,
Afaga as borboletas.


(Rômulo Piloni).