sexta-feira, dezembro 15, 2006

Conformidade


Sou lírio róseo,
De farfalhar mágico e preciso.
Sou lírio róseo,
Semeado em seu pensamento.
Sou lírio róseo!
Aquele um dia colhido.
Sou um lírio murcho no seu coração.

(Rômulo Piloni).

quarta-feira, novembro 29, 2006

Ingredientes


Improviso um poema qualquer,
Sem o pessimismo noturno que me abala,
Na universalidade de um dia seguido d’outro.
Descarregar sobre ti,
A carne dissecada de momentos sombrios,
Não causariam boas sensações.
É insubstituível,
E continua sendo.
De inúmeras e quantas substituições,
Se realizem de forma metódica.
Na aparência da perfeição,
Os elementos de teóricas garras compulsivas,
Balançam minh’alma furtivamente.
E meus pensamentos de bases alemãs,
Escorregam no gargalo da garrafa,
Equilibrando nervos abalados e coração.
Entre a ressonância elétrica e um caráter de encantos,
Rabisco minha letra.
Já as conquistas fáusticas materialistas,
Ganham progressivo espaço,
Na unidade moderna falsante.
Enquanto a sociedade aparentável,
Semeia entre os jardins de rosas,
O pessimismo particular.
Escondendo-o entre as sombras,
Das mais românticas flores cultivadas.
Este dualismo visceral,
Compõem a cloaca poética,
De um poema não esperado,
De um poeta de improvisos.

(Rômulo Piloni).

sábado, novembro 18, 2006

Coleção de desenhos


O colorido dos sonhos,
Impressos em um dicionário qualquer,
Oculta de forma singular,
O desespero do poeta.
Irromper os desejos,
Guardados há certo tempo,
Não é de muita facilidade.
Os desenhos desenhados com os punhos,
Contornados com meu sangue,
De clarividência pouco confiável,
Transportam-me para a torre da igreja.
Entretanto, quando me observo,
De forma analítica,
Deparo-me em um porão cheio de ratos.
Estes falsos amigos meus,
De desconfiança eterna,
Conduzem-me ao desespero.
Enquanto, as boas lembranças,
Daquele poeta desesperado,
Estão impressas num dicionário ilustrado.

(Rômulo Piloni).

terça-feira, novembro 14, 2006

Furto




Em meus sentidos ocultos,
Tão logo mostrou-se escuridão.
Perturbador dos sonhos e desejos,
Que transformam o coração.
Romper as estradas festejantes,
Já não há mais como.
Transpor de alegria as bases sólidas,
Já não me interessa mais!
A fonte de desejos calorosos,
Ri furtivamente d’minha cara.
Enquanto em ilusória postura,
A imagem sua, tão esperada,
Escorre diante de meus olhos.
Este causador de sofrimento orgulhoso,
Timbrado na pele quente e macia,
Marcas minhas pouco conhecidas.
Em fascinação e piedade,
Consola meus escuros cabelos.
Na tentativa de momentos felizes.
E aquele coração transformado,
Cúmplice de muitos abraços,
Requer novamente de novo,
Os tempos profanos.
De um tempo perdido em acalanto encontro.
Mesmo dizendo o que sinto,
Não adianta te amar.
Eu sei que és d’outro agora,
Mas sabes que teu coração é só meu.
Não adianta mentir!
Sob os respingos do chafariz,
Os lábios nossos tocam-se em breve sinfonia.
Sob os ruídos da cidade,
Nossos corações pulsam unidos num só.
Mas o que hoje se ouve,
É uma melancólica música incolor.
Contudo, antes que escrevam bobagens,
Está pré-escrito na sepultura:
Aqui jaz um homem que amou,
Na vida, a mulher de sua vida.

(Rômulo Piloni).

quinta-feira, novembro 09, 2006

Que será, que será?


Na arte de mandar recados
Diplomáticos ou em botequins,
O contra sistema cultural,
Em delirante complicação simplista,
Abre os braços o grande cristo redentor.
Miserável esculhambador da ordem,
Na ordem da ordem ordenada.
Na boa?!
(De simplicidade no dialogar).
Que se danem os contra-modernos,
Cínicos e arrogantes,
Preparadores de uma racionalidade planejada,
Na arte da vida dramática.
Encubando o pré-renascimento futuro.
De uma ordem avassaladora,
No maniqueísmo desafiador,
Das doutrinas alternativas.
Neste mundo prematuro-crú,
Pouco adianta divagar.
Misteriosamente entre gnomos.
É o fim da intemporalidade,
E o começo de um fim.
Um recado e um falso-abraço.
Um falso-abraço,
Em sujeito determinado.
Um recado,
No indeterminismo das escolhas.

(Rômulo Piloni).

quarta-feira, novembro 01, 2006

É posto o fim


Apalpando o vazio,
Inúmeras são as intenções.
O marcador célebre,
Inquebrável,
No centro do cosmo,
Resgata qualquer palavra.
São os cristais,
Pouco transparentes,
De colorido uniforme,
Que delatam os projetos.
Obedecendo ao imprevisto,
De longos caminhos,
Sempre há um recuo.
Estabelecido o caos,
De um moderno momento.
Sapatilhas letradas,
Confundem o aprendiz.
Embebido em si próprio,
Refere-se aos costumes,
Como singelos desencontros fraternais.
Mesmo atirando pedras nas lagoas,
O vazio continua.
Socorro-me de mim mesmo.
E acoberto-me de meus escândalos.
Nem se quer minha própria sombra,
Me acompanha nos caminhos.
O veludoso ódio plácido,
No porta-lápis escondido,
Entre sapatos, talheres e pensamentos,
Compõem sonetos líricos.
Enquanto o galo canta,
As palavras resgatadas,
Encontram-se no papel.
Tampa-se a caneta.
Fecha-se o caderno.
Agora, é o silêncio.

(Rômulo Piloni)

domingo, outubro 22, 2006

Contra-tempo


As roldanas do mundo,
Erguem com precisão.
Na faísca do fósforo,
No mármore gélido.
Aceitando o fim da estrada.
Entretempos, o tempo!

As palavras de carícias,
Comovem seus cabelos.
Nos véus metafísicos,
Compostos, nas palmas da mão.
Observo calendários complexos.
Entretempos, o tempo!

Na dor de arcos íngremes,
Condor da liberdade.
Desprende a mente do passado.
Desatando o nó no infinito.
Explosão dolorosa,
Amargo doce beijo canônico.

Ah!
Contudo, o tempo...
O tempo veloz.
Contudo, o tempo...
O tempo estático.
Era ele, nada mais!

Um cronômetro polido,
Marcador de passos.
Marcador de pensamentos.
De imagem subcolor.
Entretempos, o tempo,
Que nunca entendi.

(Rômulo Piloni).

sábado, outubro 14, 2006

Coloração insólita


Na busca incansável,
Apoiada pelo determinismo paternal,
Procuro na lentidão suave,
Palavra por palavra,
A minha identidade.
Própria de mim mesmo.
Vestindo luvas sacerdotais,
De procura incerta,
Da vida na vida em si mesma.
Sou ambos,
Pai e mãe transfigurados
Aqueles vômitos penosos,
Espasmos contínuos,
Aproximam-me cada vez mais de mim.
E eu sem nem saber,
A cada passo sem destino,
Distancio-me do meu eu.
Até quando.
Quanta verdade um espírito pode suportar?
Não a maquiada de pseudoverdades.
Calcada pela impressão digital.
É da violenta calmaria,
Que surgem palavras tempestuosas,
Falsificando o mundo ideal.
Os genes promovidos pelas ciências,
Com olhar preocupado,
Afagam a minha pele.
E cruzando divisões equacionais,
Multiplicam-se na transformação.
Mas multiplica também,
Ainda mais meu desespero.
As hélices espiraladas,
E mitocôndrias maternais,
Integram meu corpo físico.
Mas meus pensamentos,
Únicos e de impossível clonagem,
Ainda não os encontrei.
Estou certo,
Mesmo que em tempo indeterminado,
Eu me contarei a minha identidade.


(Rômulo Piloni).

domingo, setembro 24, 2006

O despertar acordado


Nas reconhecidas memórias,
Sobre o amarelo tapete no banheiro,
Sigo os pensamentos fluidos.
Quase, sempre, sepulcral.
No brinde da lua,
E no belo adeus ao sol.
Naquele plano horizonte,
É de todo cor.
Adiante, a noite se arrasta.
A porta, querem que eu feche.
A meia luz,
Na sombra do cruzeiro, descanso,
Sob brisa olfativa.
No épico coro passam os pássaros.
É no começo da dúvida,
O fim da certeza.
Meu começo acabou no fim,
E o fim nem começou.
De inúmeros diminutivos,
Nos pêndulos de minha vida,
Corro riscos.
É preciso um ponto de apoio,
Na terra vermelha suave,
Somada ao prodigioso pensamento.
Aos poucos descubro o tudo.
E tudo que achava se torna em nada.
A gota pingante inválida,
Na magia de cada dia.
Desperto-me dos sonhos malucos e reconfortantes,
Com o soar da campainha.


(Rômulo Piloni).

Insustentável atividade amorosa


Uma provisória carta de amor,
Escrita com tinta pau-brasil,
Impregnada de valores abstratos,
Sobre a nebulosa poeira do pó das asas.
Peliculosa e paciente no futuro.
Refletora e idiota no presente.
Intelectual e artística no passado.
Coexistindo de uma raiz profunda,
Coincidente na origem e no original.
Tentado se tornar o primeiro,
Na ingênua aspiração da pureza.
Acima da tolerância dos tolerantes.
Põe-se a alma a palpitar,
Com imagens febris e serviços urbanos ligeiros.
Mesmo sendo muito, é pouco.
Inocência de Inocência.
Byron e Garret,
Mostram-se transfigurados,
No reflexo da garrafa tinto.
Além das profundas cores e dos milhares de filhos de Gandhi.
Neste lerdo escoar de significados,
Perante o fluxo e refluxo de palavras,
Contrastante com o ser,
Contrastante com estar.
Meias são atributos femininos,
Portanto, morte aos generais.
Estes guindastes vastos, grandes e maduros.
Sem danças venturosas, sem o balançar de redes.
Desgraçada não é a folha da parreira,
Nem, também, o pilar da ponte.
É desgraçado o homem sentimental,
Neste mundo macho-moderno.


(Rômulo Piloni).

domingo, agosto 20, 2006

Não há como ficar



Mudei.
Aproximei-me.
Tentei ficar.
Fiquei um pouco.
Lutei.
Lutei muito.
Sofri.
Continuo sofrendo.
Nem quis mais o vinho.
Ajoelhei.
Pedi p’ra ficar.
Nada adiantou.
Vou-me embora,
Vou-me para sempre.
Com a certeza que deixo para trás.
Deixo um amor.
O meu amor.
A minha mulher.


(Rômulo Piloni).

sábado, agosto 19, 2006

A caixinha Glabs-glabs



Eu quero uma caixinha Glabs-glabs.
Eu quero (!)
Eu quero só p’ra mim...
Uma linda caixinha Glabs-glabs.
Com projetos urbanos futuristas,
Palavras acústicas,
Pessoas modernas,
Um copo de vinho.
Nas pequenas paredes transparentes,
Encobrindo suas cores verde-amarela,
E sua forma triangular-esférica.
De tamanho descomunal,
De utilidade desejosa.
Eu quero...
Eu quero a minha caixinha Glabs-glabs.
Com travesseiros de ganso,
Multiformas do Cerrado,
Um suspensório vermelho,
Livros bons de ler,
Amigos, grandes amigos.
Itinerários de grandes viagens.
E o mais importante:
Uma mulher.
Um coração.
Terei tudo.
Terei tudo meu.
Mas até hoje,
(Digo até o momento.)
P’ra mim, ela nunca se materializou.
Nem em forma,
Nem em cor,
Nem em meus desejos.
Nunca tive uma caixinha Glabs-glabs.


(Rômulo Piloni).

quarta-feira, agosto 16, 2006

Vida – Vaso



Depois d’algum tempo,
Alguns tentam colar os cacos...
Cacos estes, já esfacelados.
Juntos, formam um pseudo-vaso.
Colocado em destaque na cristaleira da sala.


(Rômulo Piloni).

Vida – Vontade



Não seria, o desejo, importante,
Se não fosse a monstruosa vontade.
No coração é dor verdadeira,
Da desejosa atividade.
Na vontade de ser livre,
É escrava, a liberdade.



(Rômulo Piloni).

Vida – Valores




O mal, vilão, sempre visto.
Contudo, no mundo dualista, integra.
Na vida, o maniqueísmo,
Para o bem do bem que existe.



(Rômulo Piloni).

A liberdade na caixa de fósforos



“Fiat Lux” – Disse Deus, no momento em que dominou as trevas com o auxílio das luzes. Na eliminação do caos e conseqüente gêneses da Madre Gaia, gerou-se Urano e Pontós, sendo Eros o princípio coeso do universo. Unindo trevas, luz e o Deus Cronos, impôs o limite e a liberdade em todo o universo.
Aos homens, a desliberdade ainda estava por vir.


xxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Liberdade é a superação do determinismo do universo; e esta tal de superação não se encaixa no determinismo de pseudo-liberdade? Seguimos o fluxo das moléculas numa caixa de fósforos.
Desliberdade – caminha ininterruptamente a passos largos, seguindo o fluxo das moléculas impostos na coesão do universo;



(Rômulo Piloni).

domingo, agosto 06, 2006

Os vermelhos girassóis


Não era amarela.
Nem era também, branca.
Não chegava a ser transparente.
Percebi que não se tratavam de girassóis.
Eram gérberas.
Eram gérberas vermelhas.
De longos caules.
Com pétalas paulatinamente colocadas.
Encaixadas por milagre.
Divinamente divinas.
Observando analiticamente,
Percebi um rosto puro.
Um rosto perfeito.
Um perfeito rosto!
Que se deixou olhar.
Que se deixou apaixonar.
Que se deixou amar.
E eu...
Que me deixei olhar.
Que me deixei apaixonar.
Que me deixei amar.
Palpitavam emoções,
Mas mesmo assim,
Não posso declarar-me.
Os homens me impedem.

(Rômulo Piloni).

Publicado em Intervalo Curta Poesia - Ano II-n° 8 - Jul 2006 - pág. 7

sábado, agosto 05, 2006

Esboço de itinerários


Nos traços límpidos,
E também livres,
Segue o projeto ininterrupto.
O subconsciente,
De forma prática,
Imprime no papel esboçado,
Rabiscos d’um pensamento moderno.
Longe… muito longe,
Além dos campos da campina,
A corruptela do vocábulo Guanabara,
De sentido-significado pluviométrico,
Deu lugar às idéias,
A expressão sublime dos barões.
Pulverizando transformações e realidade.
O cata-café do passado,
O microsoft do futuro,
Contam a história do cotidiano.
E a linha férrea continua.
Nos dormentes modernos,
Próprios da Estação Guanabara,
Novos projetos futuristas surgirão.
Naquele perfil esbelto e marcante,
Entre inúmeros pés-de-café,
A gloriosa Princesa d’Oeste,
Marca o tempo arrogante.
Ligando ferrovias,
Construindo o futuro.
Com traços límpidos e livres,
No papel,
Na história,
Na Campina,
Na Estrada de Ferro Mogiana,
Projetos seguem ininterruptos.



(Rômulo Piloni).

quarta-feira, junho 28, 2006

Mutação atrelada ao indolor



Abrem-se as cortinas.
A pseudovida está começando.
Sob o firmamento,
Surge a boa nova nas asas do urubu.
Que tão logo se retirou.
Não quis. Não ficou p’ra ver sua verdade.
A boa nova do radioisótopo.
Não um qualquer,
Mas o 137.
Tanto nas Pradarias Ucranianas,
Quanto no Planalto Central.
Transformou o homem em pó.
Pessoas mutantes,
Problemas congênitos,
Câncer, caos...
Das crianças ao cachorro,
Do cachorro ao vegetal.
Primeiro o energético ucraniano.
Tempos.
Algum tempo.
Tempo pouco passado,
O raio-X neovilaboense.
Barreiras, grandes barreiras.
Isolamento do humano para o humano.
Tendo apenas o preconceito de companhia.
Se não bastasse...
Histórias marcas.
Terras marcadas.
Marcadas as pessoas por gerações.
Não adiantou chorar,
Tampouco adiantou sofrer.
Algo atrelado ao inimaginável indolor.

O bebê nasceu sem cérebro.
A vovó perdeu as pernas.
O cachorro nem nasceu.
O litle boy contemporâneo.
Anos e mais anos.
Vinte e poucos.
Fecham-se as cortinas.
O urubu foi sepultado,
E as pessoas marcadas pela radiação.



(Rômulo Piloni).

Janelas amarelas


Não importa a maturidade do ser.
Debruçadas, as janelas espiam,
De onde menos se espera.
Contornam o contorno mundano,
Partem e chegam a todo instante,
No movimento contínuo do cotidiano.
Sobre os jardins de amores,
Daquele império decadente,
Confissões e amores e conspirações.
Os propósitos submersos de melancolia,
Inundam as exaustivas tentativas.
Nas ruas enjaneladas,
De calçamento irregular.
As cores vivas da alegria,
Permeiam um passado circular,
Daquelas inúmeras visões inesperadas,
De paredes antigas e amplas janelas amarelas.
Enquanto a orquídea agarra-se ao tronco,
As janelas tagarelam a vida alheia.
No mal cheiroso cochicho,
Dos líquidos mortíferos impelidos,
Pelo músculo dilacerador.
Esta vida pouco vivida,
De muitos comentários,
As janelas fazem parte.
E vinculam claramente a falsa versão.
Iniciam-se no fragmento do dia,
E adormecem na escuridão do por-do-sol.
As janelas pecadoras,
De brilho pouco intenso,
Continuam a tagarelar.
Enquanto a vida é vivida.



(Rômulo Piloni).

Minha carta suicida


Apalpando as palavras,
Há muito desejadas,
Encontro em minha carta suicida,
A despedida para o mundo.
Um mundo passado,
Que se desfez.
Despeço-me aliviado (!)
Saio da vida,
Para entrar na vida.
Do mundo moderno, higiênico e capaz.
E apago as imagens grisalhas,
De significados desfalecidos.
Espalhando nas ruas,
A certeza de que novas palavras surgirão,
Assim como uma nova carta suicida, também.



(Rômulo Piloni).

terça-feira, junho 27, 2006

Desabafo do amanhecer


Debruçado em meus versos,
Tenho apenas meus pensamentos.
E a impossibilidade de apresentá-los,
De uma melhor forma.
Mudo-me de lugar variadas vezes.
E repito.
E novamente de novo... e mais uma vez.
Costuro as recordações,
Nas promessas de um futuro fantástico.
Irrompendo as fronteiras possíveis,
Encontradas no amanhecer ainda não amanhecido.
Nos acordes de minha vida,
Faço poesias incompletas.
Tentando completar o sentimento,
Incompleto à minha versão.
Os habitantes dos subúrbios,
Acostumados ao necessário,
De cabeça baixa e corpo altivo,
Seguem o caminho destinado.
Enquanto no possível amanhecer,
De tantos outros amanhecer,
Eu sigo meu caminho.
De crenças diversas,
Postuladas no centro do ser.
Aqueles anos vividos,
Escorrem pelas sarjetas imundas.
De cidades imundas.
De pessoas imundas.
O orgulho do João,
Sucumbiu aos suspiros longos e frios.
Da mulher de vestido marrom e lenço na cabeça.
Tendo a tira-colo,
O peso eterno do mundo.
De falsa compaixão.
Consolando e sendo consolado,
Tudo segue firme!
Adormeço para não mais acordar.
(pelo menos agora,
neste momento,
é a minha vontade)
E só acordar,
De maneira magnífica,
Quando o mundo virar mundo.
Então, que vire mundo!
Mas continuo acordado,
Tardes e mais tardes,
Luas e mais luas,
Agora ainda é dia?
A noite escorre diante de meus olhos.
Exigindo cada vez mais de mim,
E eu acovardo-me...
Escondo-me atrás de grandes fortalezas.
Tenho medo.
Muito medo.
Medo da claridade que poderei estar,
Com meus poemas sob o braço.
Expostos a quem quiser...
De maneira rápida e marcha contínua.
Elaborando circunstancias próprias,
De sorrisos sorridentes.
De sorrisos amarelos.
De preocupantes sorrisos.
Únicos e precários,
Galopeiam na escuridão do subconsciente.
Mas tudo se transformará.
O ridículo será célebre.
E o célebre, tradicional.
Montando banca em repartições arcaicas,
De totalidade infecunda,
E intelecto apodrecido.
Atrás da vidraça blindada,
Lambuzada de elogios,
Não mais continuará a voz trancafiada,
Daquele poema sem voz,
Por não ter sido ouvido.
Enquanto isso não ocorre,
Antes que novamente eu mude de lugar,
Os soldados se espalham,
Próximos as sarjetas imundas.
Em cidades imundas.
De pessoas imundas.
Tentando combater a indiferença,
E proclamar o cântico verdadeiro.
Estes soldados bárbaros,
Símbolo de um passado repressor,
Comandam a liberdade,
Do poema,
Da consciência,
Do homem.
Antes que o dia amanheça.



(Rômulo Piloni).

domingo, junho 25, 2006

Niets para sempre


Quando a madrugada entrou, eu olhei o teu olhar.
Estavas ali, deitada e tua boca linda e teus olhos ardentes,
E a angustia da partida, morava já nos teus olhos.
Tive piedade do teu destino que era morrer no meu destino.
Teus olhos me diziam e tua boca me dizia e teu corpo me dizia...
Quis afastar-me por um segundo de ti em vão.
Olho no olho e quase boca na boca.
Quis beijar-te num vago relance, mas não podia...
Mas quando meus lábios tocaram teus lábios,
Madrugada adentro e o tempo nem se quer ousava passar.
Eu compreendi ali, que serias minha.
Poderia demorar anos e tudo parecer dar errado, mas serias minha.
Eu compreendi, que não era preciso fugir e perder aquele instante.
Não há como eu fugir e não há como eu perder.
As estrelas e as flores e o espelho afirmam,
Que tua ausência não será eterna,
Que realmente, teu coração será meu coração.



(Rômulo Piloni).

Teoria da verdade


Espírito perturbado,
Rosto emoldurado,
Barba por fazer,
Unhas mal cortadas...
Nasce a necessidade.
Incessante voz oculta,
Calada a todo custo.
Imperatriz reinante,
Na utópica realidade.
São 100 anos.
Vividos ou não,
Passaram-se.
Ligando ferrovias,
Construindo mosteiros,
Indivíduos formando.
Ternura de um passado,
Numa terra enigmática.
Vejo um catálogo de pessoas,
Sob a terra chã multiformal.
De variadas estirpes...
Pretos e brancos e amarelos.
Não registro a beleza,
E sim a podridão.
O belo só é belo,
Pois existe o feio.
E a podridão nem se comenta.
Glorificar, muitos já fazem,
O passado desbravador.
Mas a realidade,
Pungente e dilaceradora,
Deixa-se ao acaso.
Olho no espelho,
De tristes e nebulosas imagens.
Um rosto perturbado, eu vejo.

Barba por fazer,
Unhas mal cortadas.
Uma verdade virtual,
Contudo, mui real.
As rimas já não me importam mais.
Algo um tanto banal.
Próprio mesmo do ser.
E ainda assim,
Em terras centrais,
De um tempo esperado diferente,
A raiz enaltecida,
No amor e no ódio.
Mas não há como,
De forma contrária,
Deixar de glorificar,
A minha terra amada,
A sempre polis de Ana.


(Rômulo Piloni).

quinta-feira, junho 22, 2006

O enorme mundo dentro de si



“Mundo mundo,
Vasto mundo”.
Um mundo de vidro.
Um mundo de homens.
Complexo como as ligações de silício.
Simples como um copo de vinho...
Simples como suas vidas.
Com suas vidas bestas.
Com seu íntimo interior petrificado.
Até banal (!)
Sem pulso,
Sem vida,
Sem dor...
Homem-estátua,
Homem RaiMunndo.



(Rômulo Piloni).

segunda-feira, junho 19, 2006

Comparações à parte


Compararam-me com meu pai,
Por ser bastante semelhante.
Já me compararam com minha mãe,
Por ter os mesmos hábitos, também.
Já me compararam aos caracóis,
Por morar na imensidão do mundo.
Já me compararam aos palhaços,
Por sorrir e ao mesmo tempo chorar.
Já me compararam a noite,
Por ter alguns poucos mistérios.
Já me compararam aos jornais,
Por, às vezes, a verdade, eu falar.
Já me compararam aos poetas,
Por, somente, escrever tolas palavras.
Já me compararam ao beija-flor,
Por gostar, simplesmente, de ser livre.
Já me compararam com pessoas,
Por ser parecido, talvez.
Já me compararam ao cupido,
Por ter unido alguns bons amigos.
Já me compararam aos malucos,
Apenas por amar.
Nunca me perceberam realmente como sou.



(Rômulo Piloni).

Uva na terra da uva

Aquele dia como um ou outro.
Carros pelas ruas,
Pedestres pelas ruas,
Árvores a farfalhar os galhos.
Um lufa-lufa de movimentos.
Novamente naquele local,
O pequeno local de Palas.
Oficina de pseudo-intelectuais,
Logo terão a primazia do espírito.
Um dia como um ou outro.
O olhar transformador.
Cumprimentos encabulados.
Cumprimentos simpáticos.
Notoriamente há mais.
Sempre há mais!
Conversas iniciadas e interrompidas.
Conversas interrompidas e reiniciadas.
Átimo de sabedoria.
Olhares mais que perdidos.
Perplexos em busca de súplicas ardentes do coração.
Entendimentos prontamente entendidos.
Entremeados por cochichos avermelhados.
Escoltados por dizeres luminescentes.
Desespero. Continua o contínuo ázigo.
De repente: numa mesa de bar.
Esperado, não era.
Simplesmente não!
Ausência de algo ausente.
Incompleto pairado no ar.
Talvez uma antiga lembrança.
Que em tempos poderia voltar.
Mas com desejo de não partir,
Uma breve despedida tímida.
Retornando à casa de Palas.
Angustia e desespero.
Desilusão e carência.
Tudo misturado no liquidificador.
Momentos conturbados.
O dia não era mais um ou outro.
Era aquele dia!
Do repentino convite feito,
Um mais que depressa convite aceito.
Portas de currus e serem cerradas.
E uma rápida busca pelo material pessoal.
Pronto: tudo pronto (!)
Viadutos e estradas e carros.
Átimo de liberdade-livre.
Música francesa.
Conversas mui adoradas.
Olhares perguntativos.
Desejo osculativo.
Interrogações flutuantes.
Carros e mais carros.
Curvas e mais curvas.
Destino: a grande cidade.
Cidade do vinho,
Abençoada por Dionísio.
Uma breve parada...
Não mais breve.
Sob melodiosos sons a fundo.
Pedestres pelas ruas.
Carros pelas ruas.
Árvores a farfalhar os galhos.
Partida e chegada.
O crepúsculo de acompanhante.
Seguindo a fortaleza da árvore-da-vida.
Empurrando o pequeno carro-de-mão.
Escolhas a serem escolhidas.
Um vinho tinto a completar.
O dinheiro move o homem.
O homem move o dinheiro
O mundo move tudo.
Portas de carros cerradas.
Passeios e conversas e olhares.
Músicas e contatos e esperança.
Decidir ou escolher?
Escolha você.
Não, escolha você.
Que decidir?
Que escolher?
Átimo pouco comum.
Um dia como nenhum outro.
Arruou-se, ainda, variado tempo.
Arruou-se variados locais.
Conversas e cozinha e velas.
Música clássica p’ra acalmar.
Vinho tinto em taça.
Com aprovação de Dionísio.
Ambiente escuro para acompanhar.
Artes cênicas.
Jogos de palavras.
Conversas e explicações.
Autoconhecimento.
Duplo conhecimento.
Um cruzar de olhares.
Tarde de mais!
Filme e olhares e pele macia.
Que pele!
Desejo máximo de oscular.
Madeixas de sol, com cheiro rosáceo.
Com gosto rosáceo.
Pétalas pelo pensamento.
Um transpassar de braços.
Olho no olho.
Nem se quer lábio no lábio.
Mãos dispostas a enfrentar o mundo.
Coração bombástico.
Perplexo e parado,
Diante da solidão.
Tendo somente o desejo por companhia.
Repentino, sobretudo passageiro.
Gotas gotejantes d’água...
Pelos contornos nus.
Os seios, magicamente rijos.
A boca, lindamente entreaberta.
Num espaço comprimido.
Formou-se um ser autógeno.
Mão a mão.
Enfim: um breve e mágico tocar de lábios.
Lábios estes, de rosas vermelhas.
Cabelos de sol.
Contornos divinamente esculpidos.
Auréolas púrpuras,
Angelicalmente dispostas em par.
Perplexo, repetida vez...
De conselheira, somente as gotas d’água.
Dantes, doiradas.
Novamente: filmes e bocas e labaredas de fogo.
Límpido e nu...
O (meu) sol a brilhar,
Num céu de estrelas.
Por toda à parte.
Em todos os lugares.
Estrelas argíricas,
Lençóis de seda,
Travesseiros de ganso,
O céu enegrecido,
Tendo o luar como espectador.
Menina-Mulher angelita.
Os olhares próximos,
Com olhos de beleza marinha.
Num momento de intensa atença.
Leves toques de mãos.
Pêlos ouriçados.
Ósculos delirantes...
Belos pés rosáceos.
A mágica magia.
O átimo atilar de mestria.
Num ato castiço.
Yung e Yang...
Magníficos seis ondulantes
Numa natural interpelação.
Adjeção de corpos.
Ato complexo.
No encobrir do espécime.
Num ir e vir,
Num ir e voltar.
Cercado pelo breve ocular do corpo.
Num fecundo átino.
Alegremente abençoado por deuses próprios.
Afrodite ergueu-se.
Dionísio consentiu.
Enquanto:
Árvores a farfalhar os galhos.
Carros, poucos, pelas ruas.
Pedestres, poucos, pelas ruas.
Maravilhas sob as estrelas.
Um dia não esquecido,
Às retinas,
Aos pensamentos,
Ao coração.


(Rômulo Piloni).

sexta-feira, junho 16, 2006

Uva en la tierra de la uva



Aquel día como uno u otro.
Coches por las calles,
Peatones por las calles,
Árboles columpiando ramas
Un vaivén de movimientos.
Nuevamente en aquel local
El pequeño local de Palas.
Taller de pseudo intelectuales,
Que tendrán la primacía del espíritu.
Un día como uno u otro.
La mirada transformadora.
Cumplimientos ruborizados.
Cumplimientos simpáticos.
Notoriamente hay más.
¡Siempre hay más!
Charlas introducidas e interrumpidas.
Charlas interrumpidas y reiniciadas
Instante de sabiduría.
Miradas más que perdidas.
Perplejas en busca,
De las súplicas ardientes del corazón.
Entendimientos que serán entendidos,
Entremeseados por cuchicheos bermejecidos,
Escoltados por diceres luminescentes.
Desespero.
Continúa el continuo célibe.
De repente: en una mesa de bar.
Esperado, no era.
¡Simplemente no!
Ausencia de algo ausente.
Incompleto pairado en el aire.
Quizás un antiguo recuerdo
Que en tiempos podría volver.
Pero con deseo de no partir,
Un breve adiós tímido.
Volviendo a la vivienda de Palas.
Angustia y desespero.
Desilusión y carencia.
Todo mezclado en la batidora.
Momentos conturbados.
El día no era más uno u otro.
¡Era aquel día!
De la repentina invitación hecha,
Una más que deprisa aceptación.
Puertas de los coches que serán cerradas.
Y una rápida busca por el material personal.
Listo: ¡todo listo!
Viaductos y autopistas y coches.
Instante de libertad libre
Música francesa.
Charlas muy adoradas.
Miradas preguntativas.
Deseo osculativo.
Interrogaciones fluctuantes.
Coches y más coches.
Curvas y más curvas.
Destino: la gran ciudad.
Ciudad del vino,
Bendecida por Dionisio
Una breve parada (…)
No más breve.
Bajo melodiosos sonidos al fondo.
Peatones por las calles.
Coches por las calles.
Árboles columpiando las ramas.
Partida y llegada.
El crepúsculo de acompañante.
Siguiendo la fortaleza del árbol de la vida,
Empujando el pequeño coche de mano,
Opciones que serán escogidas
El dinero mueve al hombre.
El hombre mueve al dinero.
El mundo mueve todo.
Puertas de coches que serán cerradas.
Paseo y charlas y miradas.
Músicas y contacto y esperanza.
¿Decidir o escoger?
Escoge tú.
No, escoge tú.
¿Qué decidir?
¿Qué escoger?
Es un instante poco común.
Un día como ningún otro.
Se fue por la calle, aún, variado tiempo.
Se fue por la calle varios locales.
Charlas y cocina y velas.
Música clásica para calmar.
Vino tinto en copa.
Con aprobación de Dionisio.
Ambiente oscuro para acompañar.
Artes escénicas.
Juegos de palabras.
Charlas y explicaciones.
Auto conocimiento.
Doble conocimiento
Un cruzar de miradas.
¡Tarde demás!
Película y miradas y piel blanda.
¡Qué piel!
Deseo máximo de oscular.
Madejas de sol, con exhalación rosácea.
Con gusto rosáceo.
Pétalos por el pensamiento.
Un traspasar de brazos.
Ojo en el ojo.
Ni siquiera labio en el labio.
Corazón bombástico.
Perplejo y parado.
Enfrente de la soledad.
Teniendo solamente el deseo por compañía.
Repentino, sobretodo transitorio
Gota goteante de agua (…)
Por los contornos desnudos.
Los senos mágicamente rijos.
La boca lindamente entre abierta.
En uno espacio comprimido.
Se formó un ser autógeno.
Mano a mano.
En fin: un breve y mágico tocar de labios.
Labios estos, de rosas rojas.
Cabellos de sol,
Contornos divinamente esculpidos,
Auréolas púrpuras,
Angélicamente dispuesto en par.
Perplejo, repetidas vez (…)
De consejera, solamente las gotas de agua.
Antes, doradas.
Nuevamente: películas y bocas y llamas de fuego.
Límpido y desnudo (…)
El sol (mío) a brillar,
En un cielo de estrellas.
Por toda parte.
En todos los lugares.
Estrellas argíricas,
Sábanas de seda,
Almohadas de ganso,
El cielo ennegrecido,
Teniendo el lunar como espectador.
Niña- mujer angelical
Las miradas próximas,
Con ojos de belleza marina.
En un momento de intensa expectativa.
Leves toques de manos.
Pelos erizados.
Ósculos delirantes (…)
Bellos pies rosáceos.
La mágica magia.
El instante perfecto de maestría
En un acto castizo.
Yin y Yang (…)
Magníficos senos ondulantes,
En una natural interpelación.
Adhesión de cuerpos.
Acto complejo,
En el encubrir del espécimen.
En un ir y venir.
En un ir y volver.
Cercado por el breve ocultar del cuerpo.
En un fecundo instante.
Alegremente bendecido por dioses propios.
Afrodita erguidse.
Dionisio consentid.
Mientras:
Árboles columpiando ramas.
Coches, pocos, por las calles.
Peatones, pocos, por las calles.
Maravillas bajo las estrellas.
Un día no olvidado.
Una noche no olvidada.
A las retinas,
A los pensamientos,
Al corazón.


(Rômulo Piloni)

Agradecimento a duas amigas: Marília e Rosana

quinta-feira, junho 15, 2006

28 flores


Acordada, sois, mais bela.
É tempo de extrema precisão.
Nos vos direi meus sentimentos,
Tampouco, vos contarei a verdade.
Algo monótono, talvez,
Algo monótono...
No fim dos dias, cairá por terra,
Sem remissão.


Espere as cartas,
Hão de chegar.
Espere as flores,
Hão de chegar.
Tampouco, vos contarei a verdade.
Descubras por si só.
O sentimento do novo pelo velho.
Após 28 flores saberás.


A noite,
Uma neblina.
Sabes, que, dormindo, os problemas te dispensam.
É terrível despertar para a existência.
Acostuma-te com o acostumável,
Habitua-te com o habituável.
Caminhe,
Não adie a felicidade.


Abras os olhos,
Não ignore certas coisas.
Renascerão, cidades submersas.
Ridículo e frágil é meu coração.
Escute os anjos e caminhe.
Não adie a felicidade pr’outro século.
Só agora, descubro,
Trouxera a notícia do meu coração.


Confissões patéticas?
Então meu coração pode crescer.
Teu coração pode crescer.
Nunca escutei voz de gente.
Meu coração é pequeno,
A rua é enorme,
Tu sabes como o mundo é grande.
No coração, cabe tudo.


Se tento comunicar-me,
Era antes confidência.
Agora, que tu já sabes,
Meço o tempo perdido.
Tenho tanta palavra meiga.
Pequeno é meu coração.
Entre fogo e amor,
A vida continua.


E agora? Cartas já se passaram...
Passaram-se 28 flores.
Algo monótono!
Despertei para a existência,
Somente agora descobriu...
Seu coração pode crescer!
Nunca escute a voz de gente.
Escute o coração ... assim como eu.

(Rômulo Piloni).

O cerco do Cerrado central


Benigna Madre de Cora.
Mãe zelosa de Veiga Vale.
A terra chã das cavalhadas,
Defendida por cristãos e mouros.
Da tribo Goya,
Ao moderno e planejado traçado da capital.
Mistura-misturada de todos os complexos.
Num gosto de liberdade em suas palmeiras.
No infinito pouco comum.
Um incrível divisor de águas límpidas,
Co’as árvores retorcidas,
E os campos descampados.
O Cerrado do Planalto Central,
Com suas formas estranhas,
Aspectos místicos,
Fronteiras invisíveis.
Controladas pela mãe-terra.
Em seus períodos secos e longos.
Nas cachoeiras e cristais e lobos-guará,
Nos buritis e emas e lobeiras.
O excesso de aluminiun,
Pouco importa!
Nas esquecidas terras centrais,
No coração pulsante do país.
Arquitetado esplendorosamente,
No alvorada destas planas terras.
Com o equilíbrio do mestre-rei
Onde o Araguaia e o Jalapão e os Pirineus,
Reinam, majestosamente junto co’a Serra Doirada.
Tentando sobreviver às pioneiras frentes.
De um passado de ouro,
Um presente de agronegócios,
E um futuro incerto.
O Cerrado do Planalto Central,
Terra da Nação Brasileira.

(Rômulo Piloni).