quarta-feira, março 23, 2011

Novo

Palavras permanentes,
Que o vento consegue arrastar,
São como manchas,
Já quase apagadas das lembranças,
Nas tristes metáforas esquecidas,
De um tempo que dói,
Mas que se foi,
E que talvez,
Nunca mais volte.
(E espero,
de todo meu bom pensar,
que nunca mais volte,
pois tua presença marcada,
não é bem-vinda,
e tua ausência,
mais do que merecida).
E eu que pude escolher,
Para assim, se confirmar,
Que esta é minha nova musa,
Tal qual meus sonhos permitiram-me sonhar.
Não me pergunte!
Ser tolo ou insensato,
Na ambição suprema,
É impregnar-se de esperanças,
Na armadilha amorosa.
Portanto, aproxime-se, sem medo.
Leve de mim,
Um pouco de mim mesmo,
O todo que existe do meu amor.

(Rômulo Piloni).

segunda-feira, março 21, 2011

Está revelado

A minha poesia,
É um vício austero do amor imprevisto,
Que me submete ao infame ato.
Enquanto teço meus versos,
Teu beijo me desconversa no infinito,
E chega sorrateiro,
Abrindo as emoções devagarinho.
E teus cabelos noturnos,
Bagunçados pela brisa do mar,
Me entrelaçam ao teu perfume inebriante,
Já que esta brisa de outrora,
A embalou como segredo envolto,
Secreto ao desolado homem.
Que em pele fresca e macia,
Permite,
Com que eu refaça meus versos,
Com esforço impresso às jugulares,
Fazendo da distância a proximidade,
No imprevisto confuso das emoções cariocas.
Sabe exatamente o que é amar ao máximo?
Nem eu.
Espere-me (!)
Talvez...

(Rômulo Piloni).

domingo, março 20, 2011

Sem o mais ou o menos

Os ventos eram do sul,
Fortes, fracos,
Tanto faz.
Em qualquer dia,
Que os homens ainda amem.
Em qualquer tempo,
Que os homens ainda digam amém.
O dia,
O 19 de março,
Entrou com o vento do sul,
Pela janela entreaberta.
E eu quis saber,
Se tu virias com ele,
Ou não haveria ninguém.
E neste espaço,
A lua atracada aos céus,
Também se aproximou ainda mais,
Impiedosa e silente.
E com o meu olhar,
Por certo,
Observou o teu.
E ao esperá-lo,
Entre os ventos que enovelaram nossos destinos,
No horizonte oculto dos (também) nossos [suores amorosos e esquecidos por momentos
[inutilmente enegrecidos pela fumaça obscura do entardecer não-mágico.
A velha ampola amorosa se quebrou.
Somente restou, assim,
O meu sonho repousado sobre o teu.
Sem o mais ou o menos.

(Rômulo Piloni).