quinta-feira, junho 09, 2011

Sabe aquela flor?

Não tentes ser diferente.
De tudo isso,
Ficou um pouco.
Esta invenção,
Que brota absoluta,
O amor que procurava.
Não achei, seja verdade!
Me calo.
E confesso.
E não me reprimo.
No mundo, em geral,
Quem engole, nunca pode dizer.
Então grite, em vozes agudas,
Em vozes românticas.
Ou então sussurre,
Ao pé do ouvido,
Até que antes, não aguente mais.
Então, até que não suporte,
Grite, em vozes esféricas-encarnadas,
Assim como é a cor dos esmaltes que [às vezes tu se pintas.
Este vago vestígio,
Este vago indício,
Diz tudo.
E grite e exploda,
E antes que perca tua essência,
Se aglutina no coração.
E grite suave,
Assim como somente teus ouvidos [possam pronunciar.
Aquelas ondas sonoras,
E tão belas notas musicais,
Do amor,
Do grande amor,
Em tua única e implícita forma,
Sem gritar,
Sem dizer mais nada.
Apenas existindo,
Incontrolável e sorridente,
Por entre as minuciosas dobraduras da [vida.
Antes que se finde,
Confirme: isto é amor.

(Rômulo Piloni).

terça-feira, maio 31, 2011

Facilitando

Te importas que me contem teus [segredos?
Estes mesmos, que guardas a [inúmeras chaves.
Tal qual uma metáfora sussurrante,
Num grito de emoção,
Assim, sincero,
Aos ouvidos efêmeros convulsionados.
O escafandro cintilante impregnado,
Das cores mais bonitas do momento,
Cuida dos olhos,
Vigia o olhar,
Na amargurada profundeza oceânica.
Que nada!
Livre-se disso,
Destas coisas alheias e inacabadas.
De coração à razão,
Assim será mais fácil conviver,
Na podridão diária do mundo.

quarta-feira, março 23, 2011

Novo

Palavras permanentes,
Que o vento consegue arrastar,
São como manchas,
Já quase apagadas das lembranças,
Nas tristes metáforas esquecidas,
De um tempo que dói,
Mas que se foi,
E que talvez,
Nunca mais volte.
(E espero,
de todo meu bom pensar,
que nunca mais volte,
pois tua presença marcada,
não é bem-vinda,
e tua ausência,
mais do que merecida).
E eu que pude escolher,
Para assim, se confirmar,
Que esta é minha nova musa,
Tal qual meus sonhos permitiram-me sonhar.
Não me pergunte!
Ser tolo ou insensato,
Na ambição suprema,
É impregnar-se de esperanças,
Na armadilha amorosa.
Portanto, aproxime-se, sem medo.
Leve de mim,
Um pouco de mim mesmo,
O todo que existe do meu amor.

(Rômulo Piloni).

segunda-feira, março 21, 2011

Está revelado

A minha poesia,
É um vício austero do amor imprevisto,
Que me submete ao infame ato.
Enquanto teço meus versos,
Teu beijo me desconversa no infinito,
E chega sorrateiro,
Abrindo as emoções devagarinho.
E teus cabelos noturnos,
Bagunçados pela brisa do mar,
Me entrelaçam ao teu perfume inebriante,
Já que esta brisa de outrora,
A embalou como segredo envolto,
Secreto ao desolado homem.
Que em pele fresca e macia,
Permite,
Com que eu refaça meus versos,
Com esforço impresso às jugulares,
Fazendo da distância a proximidade,
No imprevisto confuso das emoções cariocas.
Sabe exatamente o que é amar ao máximo?
Nem eu.
Espere-me (!)
Talvez...

(Rômulo Piloni).

domingo, março 20, 2011

Sem o mais ou o menos

Os ventos eram do sul,
Fortes, fracos,
Tanto faz.
Em qualquer dia,
Que os homens ainda amem.
Em qualquer tempo,
Que os homens ainda digam amém.
O dia,
O 19 de março,
Entrou com o vento do sul,
Pela janela entreaberta.
E eu quis saber,
Se tu virias com ele,
Ou não haveria ninguém.
E neste espaço,
A lua atracada aos céus,
Também se aproximou ainda mais,
Impiedosa e silente.
E com o meu olhar,
Por certo,
Observou o teu.
E ao esperá-lo,
Entre os ventos que enovelaram nossos destinos,
No horizonte oculto dos (também) nossos [suores amorosos e esquecidos por momentos
[inutilmente enegrecidos pela fumaça obscura do entardecer não-mágico.
A velha ampola amorosa se quebrou.
Somente restou, assim,
O meu sonho repousado sobre o teu.
Sem o mais ou o menos.

(Rômulo Piloni).